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| Domingo, 05 de Setembro de 2010 |
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Quem são os 150 maiores escritórios de advocacia Maior banca do Brasil, o Demarest & Almeida se destaca por sua equipe de quase 400 profissionais e atuação em 18 áreas
Os números do mercado de advocacia do Brasil impressionam. Segundo os indicadores mais seguros, há no país 570 000 advogados e mais de 20 000 escritórios. Em número de advogados, o país só perde para os Estados Unidos, o paraíso da litigância, e para a Índia, uma nação de mais 1 bilhão de pessoas. Além do gigantismo, o mercado jurídico brasileiro tem uma característica: a pulverização. No Brasil, a advocacia é praticada por milhares de pequenas firmas de dois ou três advogados. Contudo, uma economia como a brasileira não pode funcionar bem sem firmas estruturadas, capazes de atuar em várias frentes. O gerenciamento de grandes volumes de ações, o assessoramento em fusões e aquisições e a formatação de negócios em infra-estrutura exigem o trabalho de dezenas de profissionais. Indicar as bancas potencialmente mais capacitadas para demandas desse tipo é o objetivo do quadro que pode ser conferido nas próximas páginas. A lista é encabeçada pelo escritório Demarest & Almeida, que conta com quase 400 profissionais. Os 150 maiores escritórios brasileiros constituem uma força expressiva. Juntas, essas firmas empregam mais de 7 500 advogados, cerca de 1,5% do total de profissionais do Brasil, e respondem por uma parcela expressiva dos serviços jurídicos contratados no país. Vistos em bloco, os maiores escritórios patrocinam mais de 900 000 causas em diversas esferas. O perfil detalhado das firmas, entre as páginas 98 e 174, mostra também que os grandes estão por trás das causas mais relevantes em discussão nos tribunais. Como grandes empresas, as principais sociedades de advogados são hoje geridas por administradores profissionais e possuem gerências financeiras, de informática e de recursos humanos. Oferecem a seus advogados planos de carreira bem definidos e programas de participação nos lucros e resultados. Patrocinam cursos de mestrado e doutorado no Brasil e no exterior e enviam seus profissionais para cumprir estágios em grandes escritórios dos Estados Unidos e da Europa. O cuidado com os processos de sucessão nas bancas também cresceu nos últimos anos. Muitos escritórios estão estabelecendo uma idade-limite para a aposentadoria dos sócios, uma maneira de abrir espaço para os mais jovens e reter os talentos. Escritórios familiares, ou que dependem do prestígio de um grande nome, tendem a desaparecer. O tabu existente em torno da divulgação de dados como faturamento também começa a ser superado. Veirano Advogados, a sexta maior banca do país em número de profissionais, divulgou recentemente um faturamento de 100 milhões de reais em 2005.
Atualmente, o mercado jurídico está aquecido com serviços de assessoria a empresas brasileiras que desejam se internacionalizar ou abrir seu capital. Casos de sucesso na abertura de capital, como o leading case da Natura, estimulam outras empresas a entrar nesse mercado. Além disso, a onda de fusões e aquisições ocorrida no fim dos anos 1990 gera agora um movimento inverso: mais procura por serviços de dissoluções de joint ventures, readequações contratuais, descumprimentos de acordos de acionistas e litígios entre sócios. Ao mesmo tempo, novas operações de fusão e aquisição estão em curso, segmento que se configura como um dos mais promissores e rentáveis para os escritórios. Esse perfil se dá pelo crescente número de operações e os altos valores envolvidos. Em 2006, a expectativa é que ocorram cerca de 400 uniões ou incorporações entre companhias no Brasil, cerca de 75% mais que em 2002. Em 2005, os processos de fusão e aquisição movimentaram 8 bilhões de dólares no país. Já as parcerias público-privadas (PPPs), área na qual o mercado jurídico apostava bastante, ainda engatinham. No longo prazo, porém, as PPPs devem se tornar um grande filão, porque essas operações exigem a participação intensa de advogados, desde a elaboração dos primeiros esboços até a formação de consórcios para participar das licitações. Arbitragem e recuperação judicial de empresas são outros serviços jurídicos cuja demanda deve crescer consideravelmente nos próximos anos.
Até 1945 não existiam sociedades de advogados no Brasil. Cada um era um nome com seu escritório particular. O advogado não tinha área específica de atuação, fazia de tudo. Fundadas nessa década, sociedades como Pinheiro Neto e Demarest & Almeida conseguiram aproveitar a onda de industrialização e de investimentos estrangeiros que veio com a abertura da economia na década de 1950. Souberam se estruturar e se adaptar à nova mentalidade, que exigia novas especializações diante de uma legislação que passava por grandes mudanças. Por isso, ambas conseguiram se manter no topo do mercado jurídico brasileiro. São acompanhadas no alto da pirâmide por escritórios fundados na década de 1970, como Tozzini, Freire, Teixeira e Silva e Machado, Meyer, Sendacz e Opice. Todos eles estão preparados para atender empresas nacionais e internacionais nas mais variadas áreas do direito. Também se destacam no mercado sociedades fundadas na década de 1990. Com perfil bastante agressivo, Barbosa, Müssnich & Aragão vem dobrando de tamanho a cada ano, e com apenas 11 anos de idade já se aproxima dos quatro maiores em prestígio. Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga multiplicou sua equipe inicial, de 14 advogados, para os atuais 178 em menos de 15 anos. E foi o escritório que mais participou de oferta de ações na bolsa entre 2000 e 2005, segundo a Comissão de Valores Mobiliários, com 35 operações. Levy & Salomão, que começou atuando mais nas áreas tributária e bancária, teve grande crescimento a partir de 2002, atuando em importantes transações no mercado de capitais e na compra e venda de empresas, tornando-se um escritório full service. Mas o mercado ainda tem lugar para butiques altamente especializadas, como o Advocacia Gandra Martins e Rezek, Dias de Souza, Advocacia Krakowiac e Machado Associados, que atuam primordialmente na área tributária, e Dannemann Siemsen e Daniel Advogados, especializados em propriedade intelectual. Potências internacionais, como Linklaters e Baker & McKenzie, já fincaram os dois pés no Brasil por meio de associações com sociedades locais. Lefosse Advogados e Trench, Rossi e Watanabe, respectivamente. Outros gigantes, como Clifford Chance, White & Case e Shearman & Sterling, optaram por montar escritórios próprios, com poucos profissionais que atuam como consultores em direito estrangeiro. No sentido contrário, escritórios brasileiros abriram filiais ou firmaram parcerias com escritórios de outros países. Noronha Advogados, por exemplo, tem escritórios em Londres, Lisboa, Miami, Los Angeles, Xangai e Buenos Aires. Castro Barros, Siqueira Castro e Xavier Bernardes, Bragança possuem filiais em Lisboa. Gouvêa Vieira tem escritório em Paris. Demarest, Machado, Meyer, Sendacz e Opice e Tozzini, Freire estão presentes em Nova York. E novas bancas surgiram no mercado nos últimos anos. Em 2001, um grupo de profissionais deixou o escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice para criar a sociedade Souza, Cescon Avedissian, Barrieu e Flesch, que já figura entre as 20 maiores sociedades do país. No ano passado, 15 advogados deixaram o Pinheiro Neto e formaram o Mattos, Muriel, Kestener Advogados.
Entre os grandes existem diversos exemplos de excelência. Mas, naturalmente, o quadro que pode ser conferido nas próximas páginas não deve ser lido como indicação de bons serviços jurídicos. Sabe-se que há inúmeros escritórios pequenos, extremamente especializados e reconhecidos pela qualidade, firmas que o mercado convencionou chamar de butiques. O nome butique é apropriado. Só o cliente pode decidir o tipo de serviço que lhe cai melhor. Assim como os maiores escritórios brasileiros se concentram no eixo Rio–São Paulo, as bancas que geram o maior número de ações também dez escritórios com o maior número de ações, nove estão localizados nas duas capitais. A exceção é a firma Brasil, Salomão e Matthes, a nona maior em número de ações, com 21 000 processos, sediada em Ribeirão Preto (SP). Os dez maiores escritórios em número de ações concentram 470 000 casos em andamento, com destaque para a sociedade Siqueira Castro, do Rio de Janeiro, que com 275 advogados é a única banca a patrocinar mais de 100 000 causas no país. |
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